VITOR LASSEN
Notícia

Prefeito de Rolândia e secretários municipais são alvos de operação do Gaeco por suspeita de propina

15 de setembro de 2018·4 min de leitura

Investigação apura recebimento de vantagens indevidas em troca de alterações de contratos com a prefeitura. Ação também tem como alvos servidores, procurador municipal e empresários

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta segunda-feira (10), uma operação contra um grupo suspeito de receber vantagens indevidas em troca de alterações de contratos com a Prefeitura de Rolândia, no norte do Paraná. Entre os alvos dessa ação estão o prefeito Luiz Francisconi Neto (PSDB), secretários municipais, servidores e empresários.

De acordo com os promotores, foram identificadas irregularidades como direcionamento de contratações, modificações indevidas de contratos com o município, falsificações de notas fiscais e superfaturamento de serviços. Ainda conforme as investigações, houve o pagamento de R$ 236.450 em propinas e uso indevido de dinheiro público no montante de R$ 24.449.

A investigação foi realizada pelo Gaeco e pelo Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria).

Conforme determinação do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), o prefeito, o chefe de gabinete, cinco secretários, o procurador, o subprocurador do município, uma servidora serão afastados dos cargos e passarão a utilizar tornozeleira eletrônica. Quatro empresários também serão monitorados eletronicamente.

Além das medidas cautelares, a Justiça também expediu 17 mandados de busca e apreensão para Rolândia, Londrina e Cambé. Seis dos mandados são para a prefeitura – incluindo o gabinete do prefeito e do chefe de gabinete, a Procuradoria Municipal e as secretarias de Educação, Saúde e Desenvolvimento Econômico – outros oito para residências, incluindo as do prefeito e dos secretários, e três em empresas.

Até a última atualização desta reportagem, o Gaeco e o Gepatria não tinha divulgado um balanço sobre o cumprimento de mandados.

O prefeito Luiz Francisconi Neto está de férias em uma viagem internacional. O vice-prefeito Roberto Fernandes Negrão que assumiu o cargo nesse período, agora passa a comandar o Executivo enquanto essa determinação da Justiça estiver em vigor.

“Não podemos deixar a máquina parar. Vamos nos reunir e organizar o novo secretariado, vamos estudar como a situação vai ficar. Precisamos ter prudência nesse momento”, disse o prefeito em exercício.

Negrão também informou que vai analisar os contratos suspeitos de fraude.

Até a última atualização desta reportagem o G1 não tinha conseguido contato com os envolvidos.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Prefeitura de Rolândia e em outras secretarias — Foto: Alceu Nascimento/RPC

Investigações

Segundo o Gepatria, as investigações foram realizadas entre dezembro de 2017 e julho de 2018, mas foram identificadas que irregularidades desde dezembro de 2015.

De acordo com os promotores, foram identificadas irregularidades como direcionamento de contratações, modificações indevidas de contratos com o município, falsificações de notas fiscais e superfaturamento de serviços.

Foi apurado o pagamento de R$ 236.450 em propinas, além da utilização de R$ 24.449, de dinheiro público, para o pagamento de contratações de serviços sem a realização de licitações ou com a dispensa do procedimento, segundo o Gepatria.

De acordo com a promotoria, todos os crimes foram praticados para propiciar o desvio de dinheiro para o grupo criminoso investigado.

“Os contratos foram direcionados, o edital foi manipulado. Essa empresa escolhida assumiu a responsabilidade de doar para a campanha do prefeito em 2016”, explicou o chefe do Gaeco, Leonir Batisti.

O Ministério Público informou que quatro pessoas firmaram acordos de delação premiada e colaboram com as investigações. Entre eles estão três ex-secretários municipais e um empresário.

Fatos apurados

Ao longo da investigação, a promotoria descobriu que uma empresa pagou R$ 150 mil em propina para o prefeito de Rolândia e demais integrantes da organização.

De acordo com o Gepatria, em contrapartida, foram incluídas cláusulas em uma licitação que restringiam a participação de empresas de Rolândia e ainda delimitava o ramo de atividade empresarial que poderia explorar um barracão, objeto desse procedimento licitatório.

Também foi apurado a contratação de uma empresa para a prestação de serviços de transporte público e escolar. Conforme o Gepatria, há indícios de superfaturamento e pagamentos de serviços prestados.

Se descobriu também que secretários municipais pediram propina para um empresário do ramo da metalurgia para dar prioridade no pagamento do serviço e também para inserir uma cláusula em licitação restringindo a competitividade.

Para desviar recursos públicos, segundo o Gepatria, empresas emitiram notas fiscais falsas com a inclusão de serviços fictícios ou superfaturados

Fonte: G1

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