Ex-prefeita e ex-vereador de Camboriú são presos pelo GAECO por alterar Plano Diretor para Beneficiar empresários
A ação do Gaeco serve de alerta para Prefeitos que indicam pessoas da sua confiança e muitas vezes até parentes para compor o Plano Diretor e posteriormente direcionar o Plano para seus empreendimentos ou de empresários. http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/ex-prefeita-e-ex-vereador-de-camb

A ação do Gaeco serve de alerta para Prefeitos que indicam pessoas da sua confiança e muitas vezes até parentes para compor o Plano Diretor e posteriormente direcionar o Plano para seus empreendimentos ou de empresários.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu nesta sexta-feira (30) mais duas pessoas suspeitas de envolvimento na Operação Terra Prometida, deflagrada na semana passada, como mostrou o RBS Notícias. Foram presos a ex-prefeita de Camboriú, Luzia Coppi Mathias, filiada na época ao PSDB, e o ex-verador Alexsander Alves Ribeiro, conhecido como Canídia, que na época era do PPS.
Os dois são suspeitos de ter participado de um esquema que tinha como objetivo alterar o Plano Diretor de Camboriú para beneficiar empresários do ramo da construção civil. Na semana passada, foram presos um vereador, dois ex-vereadores, um ex-prefeito de Ilhota, no Vale do Itajaí, um ex-secretário e dois empresários, todos com mandados de prisão temporárias.
A ex-prefeita foi presa em casa pela manhã. Ela foi levada para o Presídio Regional de Itajaí. Na semana passada, integrantes do Gaeco cumpriram dois mandados de busca e apreensão em dois imóveis dela. Conforme o coordenador do grupo, Jean Forest, foram identificados novos fatos e indícios claros de tentativas de interferências externas junto a testemunhas e outros investigados.
O advogado da ex-prefeita Luzia Coppi Mathias disse à RBS TV que só vai se manifestar depois de conhecer o teor do processo.
O ex-vereador também foi levado para o Presídio Regional de Itajaí. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dele.
O ex-prefeito de Ilhota, Daniel Bosi, na época do PSD, foi liberado na quinta-feira (29). Também deixaram a prisão os empresários Gelson e Gilson Laffitte e o ex-vereador de Camboriú Márcio Aquiles da Silva (que concorreu em 2016 pelo PV e não se elegeu). Seguem detidos o vereador de Camboriú Antônio Paulo da Silva Neto (PR), o Piteco, o ex-vereador Carlos Alexandre Martins (Solidariedade), o Xande, e o ex-secretário da Fazenda de Camboriú, Sérgio Venâncio.
O G1 tentou contato com assessores de Antonio Paulo da Silva Neto e defesa, sem sucesso. A defesa de Carlos Alexandre Martins diz que reúne informações para apresentar a versão do ex-vereador.
À RBS TV, os advogados de Gilson e Gelson Laffite disseram na época da prisão que ainda não tinham tido acesso aos autos para saber o motivo da prisão.
A reportagem não obteve retorno do advogado de Sérgio Venâncio e não conseguiu contato com a a defesa do ex-vereador Márcio Aquiles da Silva.
As prisões temporárias são utilizadas pelo Ministério Público para coleta de provas durante um inquérito. A prorrogação é de cinco dias, ao final dos quais a Justiça pode liberar os presos ou transferi-los para prisão preventiva, que não tem prazo determinado.

Investigação
A investigação começou em 2015, depois que o Gaeco de Itajaí recebeu a informação de que vereadores de Camboriú estariam recebendo vantagens indevidas para promover mudanças no Plano Diretor do município, de modo a beneficiar empresários do ramo imobiliário. Cerca de 60 pessoas são investigadas.
Gaeco fez coletiva na tarde desta quinta sobre a operação ‘Terra Prometida’ (Foto: Bianca Ingletto/RBS TV)
Os presos na operação são suspeitos de crimes como concussão, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A operação “Terra prometida” ocorreu também nas cidades de Balneário Camboriú, Bombinhas, Ilhota, Itapema e Tijucas – esta última na Grande Florianópolis. No total, 25 mandados de busca a apreensão foram expedidos.
De acordo com o Gaeco, foram cumpridos mandados de busca e apreensão de equipamentos eletrônicos e documentos em residências, escritórios particulares e dois órgãos públicos – só foi confirmado que um deles é a Câmara de Camboriú.
A presidente da Câmara de Camboriú, Marcia Regina Freitag (PSDB), disse que não falará sobre o caso por se tratar de um assunto ocorrido antes da sua gestão na Casa.
Alteração do Plano Diretor
Entre as irregularidades apontadas pela investigação está a sugestão de troca de nomenclatura dos terrenos de área rural para urbana para valorizar o imóvel, depois de pronto.
Ainda segundo o Gaeco, servidores públicos investigados teriam recebido lotes de terrenos como pagamento de propina.
“Os benefícios eram os mais variados, desde o pagamento de valores em espécie, o que foi demonstrado nas investigações, assim como troca de entrega de lotes em troca da aprovação dos projetos junto a Câmara de Vereadores e poder executivo também”, disse Jean Forest, coordenador do Gaeco.
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