O Popular: A Ética que Cala Diante do Dinheiro Público
O discurso do jornal O Popular sobre “ética jornalística” soa, no mínimo, conveniente. Em tom pretensamente nobre, a publicação tenta disfarçar o que é, na realidade, uma escolha editorial enviesada e, sobretudo, questionável: silenciar diante de um fato grave — o óbito de uma bebê— sob a justificat


O discurso do jornal O Popular sobre “ética jornalística” soa, no mínimo, conveniente. Em tom pretensamente nobre, a publicação tenta disfarçar o que é, na realidade, uma escolha editorial enviesada e, sobretudo, questionável: silenciar diante de um fato grave — o óbito de uma bebê— sob a justificativa de “preservar o luto da família”. No entanto, ao esconder-se atrás dessa máscara de sensibilidade seletiva, o veículo ignora o seu dever mais básico: informar com responsabilidade, transparência e imparcialidade.
Não se trata aqui de exploração de dor, como tenta alegar o jornal. Trata-se de não se calar diante de uma tragédia que, por envolver órgãos públicos e possíveis falhas no atendimento, deveria sim ser objeto de apuração rigorosa e de ampla divulgação. Quando a imprensa independente cumpre esse papel e dá voz aos familiares que, em meio ao luto, buscam justiça, O Popular parece mais preocupado em atacar do que em investigar. Coincidência? Difícil acreditar.
Afinal, como ignorar o fato de que O Popular recebe mensalmente vultosas quantias da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Araucária? É legítimo levantar a suspeita de que esse silêncio institucionalizado seja, na verdade, uma estratégia editorial patrocinada. A tentativa de blindar a prefeitura, omitindo fatos incômodos como esse e tantos outros, fere diretamente o princípio do jornalismo que o próprio veículo afirma defender.
A imprensa não existe para ser extensão do departamento de comunicação de governos. Tampouco serve para proteger gestões públicas de críticas legítimas. O compromisso do jornalismo sério é com a verdade, com a apuração independente e com o interesse público. Quando um jornal decide se calar em troca de contratos publicitários — ou, pior, tenta desqualificar quem ousa falar — está traindo sua função social e flertando perigosamente com a censura disfarçada.
Não há nobreza alguma em omitir. Há, sim, covardia disfarçada de editorialismo ético. E isso, O Popular, seus leitores já perceberam que toda gestão a postura é a mesma e sempre o jornal está na folha de pagamento da Secretaria de Comunicação e agora ainda quer censurar os colegas de imprensa.

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